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Inovação

Finlândia começa a treinar a população para o caminho sem volta da inteligência artificial

terça-feira, 8 de janeiro de 2019
Finlândia começa a treinar a população para o caminho sem volta da inteligência artificial

Como preparar um país inteiro para o caminho sem volta da inteligência artificial? A Finlândia teve uma ideia: selecionar 1% da população (o equivalente a 55 mil pessoas) e ensinar a esse grupo restrito, formado por gente comum, os fundamentos da inteligência artificial - e fazer dessa a centelha para a disseminação do conhecimento nos próximos anos.

Esse pequeno passo, simples, mas potencialmente revolucionário, começou com a iniciativa do Departamento de Computação da Universidade de Helsinque, que passou a oferecer um curso on-line, gratuito, sobre o tema. Com o apoio da consultoria Reaktor, a universidade lançou em maio do ano passado o curso voltado ao "apoio à democracia".

Sem exigir qualquer conhecimento em programação ou sobre códigos computacionais, o curso apresenta os fundamentos da inteligência artificial, mas não pretende treinar uma nova geração de desenvolvedores de ponta. Em vez disso, quer aumentar a conscientização sobre as oportunidades e riscos da IA entre pessoas que são estranhas à ciência da computação. Assim, com informação, as pessoas passam a ter capacidade de decidir por si mesmas o que é benéfico e onde querem que o governo invista os recursos públicos, segundo o professor Teemu Roos, mentor do projeto.

A semente plantada começou a render frutos. Em meados de dezembro, mais de 250 empresas já haviam anunciado sua participação no chamado "Desafio IA". A fabricante de papel Stora Enso, por exemplo, comprometeu-se a treinar mil funcionários nesse campo. Outras empresas, como Elisa, de telecomunicações, e Nokia decidiram fazer o mesmo com todos os seus colaboradores. Além delas, instituições governamentais, como o Ministério de Relações Exteriores e a Receita Federal finlandesa, também decidiram abraçar o projeto.

Com esses apoios e o interesse de cidadãos comuns, cerca de 10,5 mil pessoas (só da Finlândia, são 6,3 mil) haviam se formado no curso em meados de dezembro, de acordo com a Reaktor. E o número foi alcançado mesmo sem que a versão do curso em finlandês tivesse sido lançada até novembro.

"As empresas se comprometeram a treinar suas equipes nos aspectos básicos da inteligência artificial, com nosso curso ou com qualquer material que considerem apropriado", disse ao site Politico Ville Valtonen, diretor de marketing da Reaktor.

O ponto central da ideia é que as aulas não pretendem formar uma nova geração de programadores de primeiro nível, mas introduzir o público a conceitos básicos desse campo do conhecimento, como redes neurais e aprendizado das máquinas. Isso, acreditam os idealizadores, deve criar consciência sobre as oportunidades e riscos que essa tecnologia representa.

Declínio da Nokia
Para o governo finlandês, a iniciativa também servirá como ferramenta para fazer frente ao declínio da Nokia, campeã nacional na área tecnológica, que perdeu espaço no mercado global na última década. O gigantismo da empresa ajudava o país a se manter competitivo em tecnologia e inovação. A Finlândia sabe que não poderá competir com China e Estados Unidos, mas pode encontrar seu próprio caminho na disputa pelo desenvolvimento de cérebros.

Nesse quadro, o país pode desempenhar um protagonismo de nicho: como líder mundial em aplicações práticas de inteligência artificial. "Nós nunca teremos tanto dinheiro para sermos líderes em IA", diz o ministro da Economia finlandês, Mika Lintilä. "Mas como usamos essa tecnologia já é outra coisa."

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(Foto: Samuel Zeller)