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Sociedade

Um guia com as melhores séries escandinavas disponíveis na Netflix

sábado, 17 de agosto de 2019
Um guia com as melhores séries escandinavas disponíveis na Netflix

Para os fãs de séries e maratonas televisivas, a cena é bastante familiar: chega o fim de semana e, diante de tantas opções na TV e nos serviços de streaming, não é raro que o espectador escolha algo que já tenha visto - ou, no mínimo, uma outra atração bastante similar. Escolher um filme ou série que já se conhece é a saída quando não se sabe para onde correr para tentar algo realmente novo.

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Como os países escandinavos têm hoje algumas das produções audiovisuais mais elogiadas e influentes do mundo, o Scandinavian Way, para contribuir com sua próxima maratona televisiva, fez uma seleção das melhores séries produzidas nos países da região e disponíveis na Netflix. Entraram em nossa lista (organizada em ordem alfabética - e, ao contrário de alguns dos trailers abaixo, todas são legendadas em português) apenas as atrações com nota acima de 7 no IMDb, a influente plataforma de informações sobre a indústria do audiovisual de todo o mundo. Agora é só mergulhar nas produções de nossa seleção - e fazer a pipoca. 

AREIA MOVEDIÇA

País: Suécia
Estreia: 2019
Temporadas: 1
Nota no IMDb: 7,6
Após um atentado em uma escola, a estudante Maria Norberg é presa. Começa, então, a investigação, seguida do julgamento da jovem, que relembra os complicados dias que antecederam o tiroteio. É a partir do ponto de vista de Maja, como a personagem também é conhecida, que acompanhamos a história, que estreou na Netflix em abril deste ano. Areia Movediça é a primeira série original da plataforma de streaming a vir da Suécia. O anúncio da produção ocorreu com um chamariz e tanto: a Netflix comprou em 2017 os direitos de adaptar o livro em que a atração se baseia - e fez isso atraída pelo enorme sucesso da obra, lançada um ano antes pela escritora sueca Malin Persson Giolito.

BORDERTOWN

País: Finlândia
Estreia: 2016
Temporadas: 2
Nota no IMDb: 7,6
Bordertown (ou, em seu título original, Sorjonen) conta a história do detetive Kari Sorjonen (Ville Virtanen), um dos melhores investigadores do país. Depois que sua mulher quase não sobrevive a um câncer, a família se muda para uma cidade menor para que eles possam passar mais tempo juntos. A busca de paz, no entanto, é frustrada quando Sorjonen vê-se envolvido em uma série de assassinatos perturbadores. A produção é considerada uma das primeiras incursões da Finlândia no chamado "noir escandinavo". Também conhecido como "noir nórdico", o gênero tem entre seus elementos centrais, além da investigação policial, paisagens bucólicas, protagonistas femininas e questões morais complexas. O gênero ganhou especial projeção com The Killing (2011-2014), série americana adaptada da dinamarquesa Forbrydelsen (2007-2012). O timing para escolher Bordertown para uma maratona parece ser apropriado: a estreia de sua terceira temporada está prevista para outubro.

CASE

País: Islândia
Estreia: 2015
Temporadas: 1
Nota no IMDb: 7,2
Uma bailarina é encontrada enforcada no palco de um teatro. Desse ponto de partida em diante, Case oferece ao espectador uma trama intrincada e cheia de detalhes, prato cheio para quem gosta desse tipo de suspense. Seu ponto forte é o roteiro, que envolve e prende a atenção até o último dos nove episódios de sua única temporada. As belas paisagens da Islândia também ajudam a compor a tensão da história, com cenários de inverno que provocam, ao mesmo tempo, fascínio e incômodo. Como a Netflix não lança as séries em todos os países simultaneamente, Case foi recebendo prêmios pelo mundo à medida em que ela chegava à plataforma: ela foi eleita pelo The New York Times como um dos melhores programas de TV de 2016, e, em 2017, foi apontada pela revista britânica The Week como um dos melhores dramas criminais daquele ano. Vale o aviso: em alguns momentos, a violência das cenas pode incomodar.

DEADWIND

País: Finlândia
Estreia: 2018
Temporadas: 1
Nota no IMDb: 7,2
Produzida na Finlândia e lançada no ano passado, Deadwind (ou, no original, Karppi) é centrada em Sofia Karppi, uma detetive de homicídios que recentemente voltou ao trabalho depois de ficar viúva. Em seu retorno, ela encontra um novo parceiro e um novo crime para investigar, além de ter que lidar também com seus problemas pessoais, que incluem cuidar sozinha de dois filhos após a morte de seu marido. Sem o peso soturno de outras produções do gênero, Deadwind entretém em duas frentes, ambas bem construídas: na que nos apresenta os problemas da protagonista e no caso que ela trabalha para desvendar. Elogiada ("a trama é viciante", escreveu o site The Verge) e de enorme sucesso em seu país, a série já tem uma segunda temporada assegurada. A estreia está prevista para 2020.

LILYHAMMER

País: Noruega
Estreia: 2012
Temporadas: 3
Nota no IMDb: 8,0
Esta comédia dramática conta a história de Frank Tagliano (Steven Van Zandt), um gângster de Nova York que é realocado para a cidade de Lillehammer, na Noruega, após testemunhar em um julgamento e se juntar ao programa de proteção a testemunhas. O choque vivido por um mafioso nova-iorquino que subitamente tem que se mudar para uma pequena cidade norueguesa é o pano de fundo da trama, exibida originalmente entre 2012 e 2014. O jornal australiano The Sydney Morning Herald elogiou o humor seco do roteiro e descreveu a série como uma "comédia dramática fabulosa, tão incomum quanto divertida." Duas curiosidades: Lilyhammer marcou a estreia do roqueiro Bruce Springsteen como ator, no papel de um dono de funerária, e teve cenas de sua terceira temporada gravadas no Rio de Janeiro.

NOBEL

País: Noruega
Estreia: 2016
Temporadas: 1
Nota no IMDb: 8,1
Na produção, Erling Riiser (Aksel Hennie) é um soldado de elite da Noruega (e pai de família dedicado) que volta para casa após uma temporada no Afeganistão. Em seu retorno, ele se torna peão em um jogo político internacional ao matar um empresário afegão envolvido em projetos com o governo norueguês. A história entrelaça duas narrativas para dar pontos de vista diversos sobre um tema complexo: a participação da Noruega na Guerra do Afeganistão. Hoje em dia, muita gente só consegue ver o mundo com simplificações rasteiras, mas nada mais equivocado do que tratar temas intrincados como a geopolítica internacional com o maniqueísmo simplório do "bom x mau". A vida não é assim, e certamente as relações internacionais também não. Nobel trata disso com inteligência - e de maneira muito envolvente. O roteiro afiado e o investimento de € 1 milhão em cada um de seus oito episódios asseguraram uma produção de altíssimo nível. "Cativante" foi um dos adjetivos usados pelo jornal canadense The Globe and Mail para defini-la.

NORSEMEN

País: Noruega
Estreia: 2017
Temporadas: 2
Nota no IMDb: 7,8
Os vikings que vemos hoje nos cinemas e séries são geralmente representados como figuras altivas, robustas, decididas, guerreiras - fortes, enfim. O contraste com os vikings que vemos em Norsemen - vacilantes, fracos, dissimulados, preguiçosos - adiciona ainda mais graça a essa comédia norueguesa. Em sua resenha sobre a produção, o jornal britânico The Guardian entrou na onda e disse que os pontos altos da atração são suas "performances matadoras e tranças incríveis". Em duas temporadas, com seis episódios de meia hora cada um, conhecemos a rotina dos moradores da vila de Norheim no ano de 790, em um ambiente que é oposto da pompa palaciana de Game of Thrones (uma ótima série, frise-se, mas é preciso que se diga que seus momentos de senso de humor eram raros). Aliás, como bem definiu o GuardianNorsemen é o encontro entre Game of Thrones e Monty Python, o lendário grupo de humor britânico.

OS CAMINHOS DO SENHOR

País: Dinamarca
Estreia: 2017
Temporadas: 2
Nota no IMDb: 7,5

A história se desenrola em torno da família de um pastor da igreja luterana dinamarquesa e seu comportamento autoritário na relação com os dois filhos, no qual demonstra clara preferência por aquele que, como ele, aceitou seguir a carreira de líder religioso imposta pelo pai. O roteiro, consistente, ganha ainda mais força com o brilho da atuação do elenco, com destaque para Lars Mikkelsen, conhecido por séries como a americana House of Cards e a dinamarquesa Forbrydelsen (mas pode chamar de "a The Killing original"). Pelo papel de Johannes, o pai, Mikkelsen ganhou no ano passado o Emmy Internacional de melhor ator. "Brilho bíblico" e "emocionante" foram alguns dos adjetivos usados pelo jornal britânico The Guardian em sua resenha sobre a série - e os elogios se multiplicaram mundo afora. As duas temporadas da série estão disponíveis na Netflix.

RITA

País: Dinamarca
Estreia: 2012
Temporadas: 4
Nota no IMDb: 8,0
"Rita é professora. Rita não é convencional. Rita não se desculpa por sua sexualidade, mas é um pouco sem noção. Ela também é uma mãe solteira que ama seus três filhos." Em um artigo recente sobre o sucesso internacional da série dinamarquesa, a BBC detectou, como se viu acima, que a personagem-título é uma mulher comum - e é justamente isso que tem levado tanta gente a se identificar com ela (e a mergulhar na série). Criada pela emissora pública dinamarquesa TV 2 e com doses equilibradas de comédia e drama familiar, Rita já tinha tido duas temporadas quando a Netflix juntou-se ao projeto e coproduziu a terceira e a quarta temporadas. Mille Dinesen, que interpreta a protagonista, é um de seus pontos altos. 

TRAPPED

País: Islândia
Estreia: 2015
Temporadas: 2
Nota no IMDb: 8,1
Os rigores do inverno islandês bloqueiam as estradas e isolam a população de Seyðisfjörður, na costa leste da Islândia. A vida corre sem grandes sobressaltos no lugar até que um pescador encontra um torso masculino preso à sua rede. A investigação sobre o que aconteceu com o homem, que tem marcas de facadas e foi desmembrado, está no centro da elogiada trama da primeira temporada de Trapped (foto). O mistério e a tensão ganham ainda mais força com o peso dado à natureza na história: a neve, o isolamento e o clima denso criam a real sensação real de se estar preso em um lugar. Como escreveu o jornal The New York Times, "se você gosta de noir escandinavo, Trapped te arrasta para dentro dela". A segunda temporada da série, a mais cara produzida na Islândia, já está disponível.