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Sociedade

Cultura vencedora: o que a Dinamarca pode ensinar ao mundo dos negócios

segunda-feira, 15 de julho de 2019
Cultura vencedora: o que a Dinamarca pode ensinar ao mundo dos negócios

Inovadora, rica e com índices elevados de desenvolvimento humano, a Dinamarca está sempre nas primeiras posições em rankings internacionais que atestam a prosperidade dos países. Há alguma fórmula para isso? Christian Bason, CEO do Danish Design Centre, e Simona Maschi, cofundadora do Copenhagen Institute of Interaction Design, investigaram os "segredos" dinamarqueses.

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No artigo "O que aprendi trabalhando por um ano à moda dinamarquesa", que foi ao ar no site Quartz, a dupla conta como a sociedade e as empresas se organizaram na Dinamarca de forma a cultivar valores como confiança, senso de comunidade e bem-estar. Veja a seguir cinco lições apresentadas pelo artigo, reproduzidas também pela revista Época Negócios.

1. Os dinamarqueses saem do trabalho às 16h — e isso não afeta a produtividade
Os dinamarqueses têm uma das menores cargas horárias no mundo. Por volta das 16h, há um grande número de pessoas pegando suas bicicletas para voltar para casa. Vale lembrar que o país ocupa o segundo lugar entre as nações mais empreendedoras da União Europeia. “A produtividade aumenta com menos horas de trabalho. Entre os países mais ricos do mundo, a maior produtividade está relacionada com menor carga horária”, diz o texto.

Essa cultura também ajuda os funcionários a terem um bom equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Afinal, é possível ir à academia antes do jantar, ou pegar os filhos na escola. “Se seu dia de trabalho termina às 15h45 em vez de às 18h, o resto dele não parece uma corrida”.

2. O sucesso pessoal é secundário
Os jovens dinamarqueses são ensinados que ter responsabilidade coletiva, possuir empatia e ser um bom cidadão são questões mais importantes do que o sucesso pessoal. Essa mentalidade não leva a menos desenvolvimento econômico: o país é a casa de empresas gigantes como Novo Nordisk, Maersk, Lego e Carlsberg. Um traço interessante é que essas companhias não foram fundadas por um grande visionário como Steve Jobs, Mark Zuckerberg e Jeff Bezos, mas sim por famílias.

3. Os dinamarqueses não têm medo de perder o emprego
Quando foi à Dinamarca pela primeira vez, Simona Maschi se surpreendeu com a postura do irmão de sua amiga depois de perder o emprego. Todas as manhãs, ele vestia um terno, como se estivesse indo trabalhar, e passava o dia em algum café. “Ele parecia tão relaxado, parecia um luxo ser demitido”, diz ela. Esse comportamento tranquilo tem explicação: ele ainda recebia 80% do salário anterior, e continuaria ganhando o benefício por dois anos, graças a um programa do governo dinamarquês chamado dagpenge.

Isso, para alguns, pode parecer um fardo pesado para os contribuintes, mas há uma lógica por trás dessa política. Ter esse tempo “livre” permite aos desempregados fazer cursos e aprender novas habilidades, que asseguram a eles empregos melhores no futuro. Para o país, isso serve como um seguro contra uma nova situação de desemprego, um risco econômico ainda maior. A mensagem é: não tenha pressa, nós precisamos de você empregado e feliz.

4. Eles encorajam ações arriscadas
Para acelerar a inovação, encorajar a tomada de risco é importante. Além disso, com o desenvolvimento da inteligência artificial, é preciso que os profissionais desenvolvam habilidades que não possam ser imitadas pelos algoritmos. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, essas habilidades envolvem empatia, resolução de problemas complexos, criatividade e trabalho em equipe.

Como desenvolver essas habilidades? Para começar, um país pode construir parquinhos mais perigosos. Na Dinamarca, os espaços para crianças são cheios de elementos naturais como água e galhos, trampolins e locais altos sem redes de segurança. Espera-se que as crianças assumam riscos, negociem entre si, ajudem umas às outras e conversem com estranhos. Essas expectativas são levadas ao ambiente de trabalho, na forma de tolerância ao fracasso, abertura à criatividade e permissão para que os funcionários tomem iniciativas.

5. Dinamarqueses vão muito além do salário
Na Dinamarca, o governo paga três quartos dos custos de creches para crianças de até um ano. Isso permite aos pais — e especialmente às mães — voltar à força de trabalho após terem filhos. Em 2017, 76% das mulheres dinamarquesas trabalhavam, na comparação com 56,8% nos Estados Unidos, segundo a OCDE. Além disso, o ensino é gratuito do jardim de infância até a universidade.

É difícil que outros governos possam fazer o mesmo, mas as empresas privadas podem se inspirar nas políticas dinamarquesas e oferecer bolsas de estudo aos filhos dos funcionários ou licença-maternidade estendida. Isso poderia aumentar a retenção da sua força de trabalho.