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Escandinávia e Brasil

Segundo instituto sueco, Brasil vive hoje uma "erosão" democrática

segunda-feira, 27 de maio de 2019
Segundo instituto sueco, Brasil vive hoje uma "erosão" democrática

Em um novo informe publicado pelo Instituto V-Dem, da Universidade de Gotemburgo, que reúne o maior banco de dados sobre democracias no mundo, os pesquisadores identificaram 24 países que "estão sendo afetados severamente pelo que é estabelecido como uma terceira onda de autocratização" - e o Brasil é um deles. "Esses países incluem o Brasil, Índia, EUA, assim como vários países da Europa do Leste", aponta o estudo.

Os dados se referem aos acontecimentos do ano de 2018 e não incluem ainda o governo de Jair Bolsonaro, registra o jornalista Jamil Chade em seu blog no portal UOL. O processo eleitoral, porém, fez parte da avaliação, assim como a tensão política no período de campanha e os ataques contra a liberdade de expressão. A edição de 2019 do relatório foi divulgada na última terça-feira (21/5).

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A iniciativa da Universidade de Gotemburgo de avaliar o comportamento das democracias é uma nova forma de medir os regimes democráticos e examiná-los em sua complexidade. A ideia é de que uma democracia é muito mais apenas a existência de eleições. No total, mais de 450 indicadores são avaliados.

Hoje, o V-Dem produz e coleta informações sobre países entre os anos de 1789 a 2018. No total, 3 mil acadêmicos trabalham indiretamente na formulação da análise.

Na edição de 2018 do informe, os especialistas já apontavam para deslizes registrados no Brasil no que se refere à democracia e baseado em dados até 2017. Agora, o alerta é ainda mais forte. De acordo com o estudo de 2019, a "erosão democrática afeta três democracias eleitorais de longa data: Bulgária, Brasil e Índia".

"Nesse três casos, ataques contra o pluralismo da imprensa, academia e liberdade cultural e uma substancial polarização na sociedade são chaves na deterioração", disse. "Em todos esses três países, ficou mais perigoso ser um jornalista, segundo tanto os indicadores da V-Dem como os registrados da entidade Repórteres Sem Fronteira sobre ataques mortais contra jornalistas."

"No Brasil, o clima política ficou cada vez mais polarizado nos antes que antecederam à eleição do populista de extrema-direita, Bolsonaro, como presidente em outubro de 2018", constatam os pesquisadores. "Em especial, o impeachment da então presidente Dilma Rousseff em 2016 a prisão do ex-presidente Lula em 2017 por corrupção geraram fortes debates e protestos. Esses exemplos de deterioração do clima política levaram a uma erosão significativa", completou.

No informe deste ano, os autores pela primeira vez tratam do fenômeno de "proliferação da polarização tóxica". Na avaliação dos especialistas, esse é um elemento "perigoso" no cenário político atual. A ideia é de que se elites políticas e seus simpatizantes não consideram mais os opositores políticos como legítimos e merecedores de respeito, eles tendem a não aderir da mesma forma às regras da democracia ao lutar pelo poder.

Um dos indicadores nessa avaliação é o de "justificativa razoável" para legitimar uma decisão política e, nesse critério, o Brasil é um dos exemplos de países que enfrentam problemas. "Esse indicador reflete a dimensão pela qual políticos fornecem justificativas baseadas em fatos para escolhas políticas", explicou o estudo. Além do Brasil, tais problemas são encontrados nos EUA, Polônia ou Índia.

Outro critério em que o Brasil sofre é o de "respeito por contra-argumentos". Esse indicador, segundo os acadêmicos, avalia o respeito mútuo sobre ideias. "Com o fortalecimento do populismo, sociedades estão cada vez mis divididas em campos antagonistas, impedindo um debate político construtivo", disse.