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Sociedade

O que diz sobre a prisão de Julian Assange o islandês que é editor-chefe do Wikileaks

O que diz sobre a prisão de Julian Assange o islandês que é editor-chefe do Wikileaks

Kristinn Hrafnsson, o jornalista islandês que é editor-chefe do Wikileaks, disse à revista Grapevine que a prisão de Julian Assange, criador da organização, viola tanto a lei internacional quanto a “decência moral”. Ele diz que o Wikileaks está pronto para lutar contra a extradição de Assange para os Estados Unidos.

A prisão de Julian Assange, ocorrida nesta quinta-feira (11/4), não foi exatamente uma surpresa, afirmou Hrafnsson. "Estávamos esperando por isso já tinha algum tempo", declarou ele à revista islandesa. No dia 4 de abril, o Wikileaks escreveu no Twitter que havia sido avisado por uma “fonte de alto nível dentro do Estado equatoriano” que Assange seria expulso “em uma questão de horas ou dias”, e que o Equador já tinha um acordo com o Reino Unido para sua prisão.

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Enquanto alguns observadores alegam que Assange violou repetidamente os termos de seu asilo dentro da embaixada equatoriana em Londres, Kristinn diz que essas afirmações são completamente infundadas. "Esse acordo não existe", disse ele à Grapevine. “É falso. Você não decide simplesmente impor termos para o refúgio após ele ter ocorrido. Isso é uma violação das leis e normas internacionais e foge da decência moral ”.

Kristinn também confirmou à revista islandesa que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou em dezembro de 2018 um pedido de extradição às autoridades britânicas. Autoridades norte-americanas estão tentando processá-lo por conspirar com a ativista Chelsea Manning para divulgar a documentação referente às guerras no Iraque e no Afeganistão em 2010.

O Wikileaks vai tentar combater a extradição de Assange para os EUA, mas o relógio está correndo: autoridades do país, especialmente em um caso de enorme repercussão como esse, provavelmente agirão o mais rapidamente possível para tirar Assange do Reino Unido.

Kristinn disse à Grapevine que tanto Assange quanto Manning “precisam de muito apoio”, e que sua acusação é parte de um movimento crescente de cerceamento da liberdade de imprensa. "Há uma epidemia de silenciamento que faz parte do que estou me referindo como neomacarthismo", ele disse em outra entrevista, publicada em março.

“A guerra contra o jornalismo provavelmente aumentará um pouco mais. Eu realmente acredito que a comunidade de jornalismo tradicional nãon esteja vendo o perigo que está se aproximando e por que é absolutamente necessário acordar agora e apoiar Julian Assange, Wikileaks e Chelsea Manning. As coisas provavelmente vão piorar antes de melhorarem. Mas eu tento ser otimista. Levou alguns anos para a grande mídia chegar a um acordo sobre o fato de que nós mentimos sobre as razões da invasão do Iraque ”.

O australiano Julian Assange criou o Wikileaks como um instrumento para que documentos secretos pudessem ser vazados. A plataforma ficou famosa em 2010 com a divulgação de material que mostrava a atuação de tropas dos EUA no Iraque e no Afeganistão e também a comunicação entre diplomatas.