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Sociedade

Depois do Hygge é a vez do Lykke

terça-feira, 27 de novembro de 2018
Depois do Hygge é a vez do Lykke

O bem-estar à maneira escandinava e o que isso tem a ver com o nosso próprio jeito de desfrutar a vida.

Há cerca de cinco anos o termo hygge (pronuncia-se “hoo-gah” ou ru-ga”) vem tentando ser traduzido mundo afora. A palavra dinamarquesa atravessou as fronteiras da Escandinávia graças ao livro “Hygge: O Segredo dos Dinamarqueses para uma Vida Feliz em Qualquer Lugar”, de Meik Wiking.

Traduzido para 32 línguas, inclusive o português, o best-seller descreve o estilo de viver nórdico em que, basicamente, o estar confortável é a coisa mais importante e pode ser criado a qualquer hora em qualquer latitude e longitude.

Nas palavras do autor, hygge é simplesmente o jeito como os dinamarqueses vivem. E envolve desde a decoração – muitas luminárias acesas para dar uma sensação mais aconchegante, almofadas e uma manta macia para proteger do frio enquanto se toma uma xícara de chá – até as reuniões familiares e com amigos.

Pode ser ainda entendido como um ritual de deixar a rotina mais charmosa, a casa mais bonita, florida; de usar as melhores louças todos os dias, de cozinhar alimentos frescos e saudáveis. Sem pressa nem complicação.

E é também o hábito de sentir real contentamento pelos pequenos prazeres da vida – que seja passar o domingo de pijamas assistindo à sua série de TV favorita.

Portanto, embora o vocábulo seja dinamarquês, a sensação hygge pode acontecer em todo lugar. Desde que você esteja atento para percebê-la. E talvez este tenha sido o principal mérito do livro de Wiking: entregar uma palavra que nos leva a apreciar aquilo de agradável que já fazemos.

Agora Meik Wiking promete colocar outro conceito dinamarquês na boca do mundo: lykke (diz-se “liii-ca”). Em seu “The Little Book of Lykke”, ainda sem tradução no Brasil, ele divide a felicidade (lykke significa felicidade) em seis categorias: união, dinheiro, saúde, liberdade, confiança e bondade. Temas que surgiram de uma análise aprofundada acerca do Relatório Mundial sobre a Felicidade (Wiking é CEO do Instituto de Pesquisa sobre a Felicidade da Dinamarca, país dos mais felizes do mundo).

Em uma entrevista ao site do jornal The Telegraph, o autor comentou que espera que as pessoas sejam encorajadas a implementar algumas ideias de lykke em suas próprias vidas. “Com tanta turbulência política em todo o mundo, é bom procurar o bem do mundo. Nós tendemos a ignorar que há muitas pessoas fazendo coisas boas. Em primeiro lugar Lykke é uma história de otimismo e esperança”.

Com pesquisas sobre a felicidade em diferentes partes do mundo, incluindo Brasil, Meik Wiking descreve condutas que ajudam a descomprimir a sociedade e, acima de tudo, podem levar a comunidade a uma melhor sensação de bem-estar. Exemplos? Os japoneses levam a sério o propósito de coletividade desde a mais tenra idade, o que

constrói uma sólida e segura rede social; holandeses costumam dizer que vale mais um bom vizinho do que um amigo distante; os ingleses parecem ser os primeiros do mundo a tirar o estigma da doença mental contribuindo para uma cultura acolhedora; os portugueses parecem ser os pais mais felizes do mundo porque têm mais tempo livre, liberdade e ajuda graças a uma rede de suporte dos avós maior do que nos demais países europeus. No caso do Brasil, Wiking destaca os bem sucedidos episódios de favelas cariocas que, por uma iniciativa de colaboração entre empresas, voluntários e cidadãos, receberam pintura nova na fachada de seus barracos, que foram então “elevados” a lares, com reflexo para a autoestima de seus habitantes.

Cuidar de si mesmo e cuidar do entorno para ter esse cuidado de volta. Parece que isso tem potencial de funcionar aqui também.